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Praeambula Fidei, artigo do Prof.Edward Feser

2020.11.20 15:15 BlindEyeBill724 Praeambula Fidei, artigo do Prof.Edward Feser

Praeambula Fidei, artigo do Prof.Edward Feser


Segue a tradução do artigo do Prof.Edward Feser em torno do Praeambula Fidei (por que isso é importante à apologética cristã, ver o post introdutório deste subrredit¹), encontrado originalmente em → http://edwardfeser.blogspot.com/2012/01/point-of-contact.html, com alguns outras traduções contextuais para que o leitor tenha acesso facilitado. Também realizarei alguns comentários quando julgar pertinente, espero que aproveitem algo (os comentários seram precedidos de CT, comentário do tradutor).
PONTO DE CONTATO
Bruce Charlton identifica seis problemas para os apologistas cristãos modernos² e propõe uma solução. Suas observações são todas interessantes, mas eu quero me concentrar no primeiro e mais fundamental dos problemas que ele identifica, que é que o conhecimento metafísico e moral que mesmo os pagãos tinham no mundo antigo não pode mais ser tomado por certo:
O cristianismo é um salto muito maior da modernidade secular do que do paganismo. O cristianismo parecia a conclusão do paganismo - um ou dois passos adiante na mesma direção e construindo sobre o que já estava lá (na cosmovisão clássica, CT): as almas e sua sobrevivência além da morte, a natureza intrínseca do pecado, as atividades de poderes invisíveis e assim por diante. Com os modernos, não há nada sobre o que construir (exceto talvez memórias de infância ou realidades alternativas vislumbradas através da arte e da literatura).
Desse problema seguem-se muitos outros, continua Bruce:
O Cristianismo moderno, conforme experimentado pelos convertidos, tende a ser incompleto - precisamente porque o Cristianismo moderno não tem nada sobre o que construir. Isso significa que o Cristianismo incompleto moderno carece de poder explicativo, parece ter pouco ou nada a dizer sobre o que parecem ser os principais problemas da vida. Por exemplo, o Cristianismo moderno parece não ter nada a ver com política, direito, arte, filosofia ou ciência; habitar um reino minúsculo e cada vez menor, isolado das preocupações diárias. O cristianismo moderno frequentemente exclui milagres; pecado original; o nascimento virginal, a encarnação e a natureza dual de Cristo; A morte, ressurreição e expiação de Cristo; a Santa Trindade; anjos, demônios e guerra espiritual invisível e assim por diante - mas sem esses e outros elementos, o cristianismo não se mantém unido nem satisfaz o anseio humano.
E
O Cristianismo moderno muitas vezes parece superficial - parece confiar demais no ditame das Escrituras e da Igreja - isso porque os modernos carecem de uma base nas percepções espontâneas da Lei Natural, do animismo, do senso de poder sobrenatural ativo na vida cotidiana. O Cristianismo moderno (após a primeira onda de experiência de conversão), portanto, parece seco, abstrato, legalista, proibitivo, não envolvente, sem propósito.
Como se costuma dizer, leia tudo. Acredito que haja muita verdade no que Bruce tem a dizer. Para ter certeza, nem por um momento penso (e presumo que Bruce não pense) que o Cristianismo realmente é "superficial", "incompleto", "seco", "sem propósito", desprovido de “Poder explicativo”, com “nada para construir” por meio de um terreno comum com a modernidade secular, etc. Muito pelo contrário. Mas concordo que pode parecer assim para muitas pessoas modernas. (Parecia mais ou menos assim para mim em meus dias ateus, antes de descobrir o que o Cristianismo, e em particular o Catolicismo, realmente disse - isto é, o que seus maiores representantes realmente sustentaram historicamente, em contraste com as distorções do cristianismo, seja liberal ou fundamentalista, que o substituiu em grande parte da opinião pública.)
O problema, em parte, é de circunstâncias históricas e culturais. Veja um exemplo simples, a descrição cristã de Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Para as pessoas modernas, esse tipo de conversa pode soar insuportavelmente piegas; na verdade, às vezes acho isso insuportavelmente piegas, a menos que o contexto seja capaz de neutralizar as terríveis associações culturais que passaram a cercá-lo. Portanto, se estou ouvindo uma referência a Jesus como Senhor ou Salvador no contexto da Missa (seja a forma extraordinária ou a forma ordinária celebrada de forma digna), isso não me incomoda de forma alguma; mas se o ouço proferido por um televangelista, sinto (talvez como um Dawkins ou um Hitchens sentiriam) uma necessidade irresistível de mudar de canal.
Pense, porém, nas associações que uma palavra como “Senhor” teria para alguém no mundo antigo ou medieval - faria lembrar um imperador ou um aristocrata. Pense no que "Salvador" significaria em um contexto cultural onde antigas comunidades locais estavam sendo engolidas por impérios implacáveis ​​e aparentemente invencíveis, e onde sistemas morais rigoristas como o estoicismo e o neoplatonismo competiam pela lealdade da intelligentsia - isto é, digamos, onde as pessoas tiveram uma sensação contínua de estarem em perigo físico real e de fracasso moral pessoal contínuo. Uma descrição de Jesus de Nazaré como "Senhor" e "Salvador" teria o reverso das conotações sentimentais e efeminadas que os secularistas ouvem agora - pode trazer à mente um Constantino severo cavalgando para o resgate a cavalo, digamos, em vez de um Mister Rogers com cabelo comprido e sandálias, pronto com um sorriso e um Band Aid para nossa estupidez espiritual.
Combine a política igualitária, a moral fácil e a riqueza relativa e a estabilidade social das últimas décadas, e poucas pessoas no mundo secular moderno estão procurando por um Senhor ou Salvador no sentido que os antigos e medievais teriam entendido. Adicione a isso o fato de que "Jesus é o Senhor!" tornou-se a expressão de uma religiosidade emocional e terapêutica veiculada por meio de camisetas, adesivos de para-choque e música ruim produzidos em massa, e toda a ideia é destinada ao secularista moderno a parecer ininteligível e repulsivamente cafona. (Raspe um Novo Ateu e você frequentemente descobrirá que este é o tipo de coisa contra a qual ele está reagindo, e tudo o que ele conhece do Cristianismo.)
Então, isso é parte do problema. Mas isso pode ser remediado se os proponentes de uma forma de cristianismo muscular e intelectualmente rigorosa - ou seja, do cristianismo simpliciter, como existiu historicamente - redescobrirem sua herança ancestral. Com isso, eles redescobrirão também a herança do mundo pagão e encontrarão nela os recursos para se comunicarem com o homem moderno, na verdade com qualquer homem. Os aristotélicos e os neoplatônicos sabiam que Deus existe, sabiam que o homem não é uma criatura puramente material, sabiam que o bom e o mau são características objetivas do mundo e que a razão nos direciona a buscar o bem. Eles sabiam dessas coisas através de argumentos filosóficos que não perderam nada de sua força, argumentos que foram recolhidos e refinados por pensadores cristãos e que informaram a grande tradição escolástica.
Como o Papa Leão XIII expressou belamente em Aeterni Patris, os tesouros intelectuais dos pagãos são como os vasos de ouro e prata que os israelitas tiraram do Egito, prontos para serem empregados a serviço da verdadeira religião. Assim, a Escolástica, cujo renascimento esta encíclica promoveu, felizmente, adotou tudo o que era de valor no pensamento de gregos e romanos, judeus e árabes. Com filosofia como com arte, literatura e arquitetura, se você quiser aprender o que os maiores não-cristãos têm a oferecer, venha para a Igreja, que o absorve e protege - honrando nossa natureza divinamente dada e seus produtos, mesmo enquanto ela cria eles mais elevados pela graça. Ela lembra ao homem o que ele já sabe, ou pode saber, por meio de seus próprios poderes, antes de revelar a ele verdades que ele não poderia chegar por conta própria. Ela fala com ele em sua própria língua - a linguagem da teologia natural e da lei natural, que são, em princípio, acessíveis a todos, e não têm prazo de validade. Até os secularistas modernos conhecem essa linguagem, pois não são menos humanos do que seus ancestrais pagãos. O problema é que eles falam isso apenas no nível de escola primária ou mesmo no jardim de infância, enquanto o maior dos antigos pelo menos tinha proficiência relativa ao ensino médio. Mas, por meio da educação, eles, como os antigos pagãos, podem ser preparados para o trabalho de pós-graduação proporcionado pela revelação divina.
Esta é, obviamente, a ideia do que Tomás de Aquino chamou de praeambula fidei - os preâmbulos da fé, pelos quais a filosofia abre a porta para a revelação (onde a fé e a revelação, tenha em mente, corretamente entendidas, não são de forma alguma contrária à razão, mas um desenvolvimento - expliquei como na primeira metade de um post anterior³). Mas isso nos leva a outro problema. Como o fariseu que despreza a piedade e virtude sincera do samaritano, alguns cristãos desprezam a teologia natural e a lei natural como ímpias ou pelo menos questionáveis. Eles desprezam a natureza humana e, com ela, qualquer compreensão não-cristã de Deus e da moralidade, como algo totalmente corrupto e sem valor; ou eles estão dispostos, pelo menos verbalmente, a afirmar essa natureza, mas apenas se ela for efetivamente absorvida na ordem da graça, como o monofisista que está disposto a reconhecer a natureza humana de Cristo apenas se primeiro ela for completamente divinizada. Na primeira tendência, somente a fé e as Escrituras devem ser suficientes para trazer alguém ao Cristianismo, os preâmbulos que se danem. Sobre este último, a natureza humana é concebida de uma forma que (para tomar emprestado uma frase do Papa Pio XII) ameaça "destruir a gratuidade da ordem sobrenatural" ao elevar o natural ao sobrenatural, tratando de fato a teologia natural e a lei natural como se apenas o cristão pudesse entendê-los corretamente. Em ambos os casos, o cristianismo pode vir a parecer uma questão de mero diktat (como diz Bruce Charlton) - fideísta, inacessível e irrelevante para o mundo dos não crentes.
A primeira tendência, obviamente, está associada a Lutero e Calvino, embora seja justo reconhecer que há protestantes que resistiram a ela. Ao mesmo tempo, sua própria resistência é frequentemente resistida por seus correligionários, como é ilustrado por uma famosa disputa entre os teólogos protestantes do século 20 Emil Brunner e Karl Barth. Brunner argumentou que a teologia natural representa um "ponto de contato" entre a natureza humana e a revelação divina, pelo qual a primeira pode ser capaz de receber a última (embora mesmo Brunner qualifique sua noção de "teologia natural", para que não implique a certeza da existência de Deus apenas pela razão natural como é afirmado pelo catolicismo). Barth respondeu com raiva (em uma obra com o título conciso "Não!"), Rejeitando qualquer sugestão de que a natureza humana contribui com algo para o "encontro" entre Deus e o homem e argumentando que qualquer "ponto de contato" necessário foi ele próprio fornecido pela revelação, em vez do que a natureza humana. Isso é um pouco como dizer que a bola de bilhar A bate na bola de bilhar B ao atingir, não a superfície de B, mas uma superfície fornecida por A. Se for inteligível, isso apenas empurra o problema para trás: Como a superfície fornecida por A em si tem alguma eficácia vis-à-vis B? E como o “ponto de contato” fornecido pela própria revelação faz qualquer contato com a natureza humana?
Também é justo apontar que alguns pensadores católicos modernos têm opiniões que pelo menos flertam com a segunda tendência que descrevi acima - embora em parte sob a influência de Barth. Hans Urs von Balthasar procurou encontrar Barth no meio do caminho, rejeitando a concepção do estado natural do homem desenvolvida dentro da tradição tomista e central para a Neo-Escolástica promovida por Aeterni Patris de Leo (uma concepção que eu descrevi em um post recente sobre o pecado original). Nessa visão tradicional, o objetivo natural dos seres humanos é conhecer a Deus, mas apenas de uma forma limitada. O conhecimento íntimo e “face a face” da natureza divina que constitui a visão beatífica é algo a que não estamos destinados por natureza, mas é um dom inteiramente sobrenatural que se tornou disponível a nós somente por meio de Cristo. No lugar dessa doutrina, Balthasar colocou o ensino de seu colega proponente da Nouvelle Théologie Henri de Lubac, que sustentava que esse fim sobrenatural é algo para o qual somos ordenados pela natureza. Se é mesmo coerente afirmar que um dom sobrenatural pode ser nosso fim natural, e se o ensinamento de Lubac pode, em última análise, ser reconciliado com a doutrina católica tradicional da "gratuidade da ordem sobrenatural" reafirmada por Pio XII, há várias décadas tem sido assunto de feroz controvérsia. Mas a implicação aparente (mesmo que não intencional) da posição defendida por de Lubac e Balthasar é que não existe uma natureza humana inteligível à parte da graça e à parte da revelação cristã. E, nesse caso, é difícil ver como poderia haver uma teologia natural e uma lei natural inteligível para alguém ainda não convencido da verdade dessa revelação.
Relacionado a isso está a tendência de Etienne Gilson de tirar a ênfase do núcleo aristotélico do sistema de Tomás de Aquino e apresentá-lo como uma "filosofia cristã" distintiva. Como Ralph McInerny argumentou em Praeambula Fidei: Thomism and the God of the Philosophers, a posição de Gilson, como a de Lubac, ameaça minar a visão tradicional tomista de que a filosofia deve ser claramente distinguida da teologia e pode chegar ao conhecimento de Deus à parte da revelação. Essas visões, portanto, “involuntariamente [corroem] a noção de praeambula fidei” e “nos conduzem por caminhos que terminam em algo semelhante ao fideísmo” (p. Ix).
O livro de McInerny, junto com outras obras recentes como O Desejo Natural de Ver Deus de Lawrence Feingold de acordo com São Tomás de Aquino e Seus Intérpretes e Natura Pura de Steven A. Long, marcam uma recuperação há muito esperada dentro do pensamento católico convencional de uma compreensão da natureza e graça que já foi moeda comum, e à parte da qual a possibilidade da teologia natural e da lei natural não pode ser adequadamente compreendida. Nem, eu diria, outras questões cruciais podem ser apropriadamente entendidas à parte dele (como o pecado original, como argumento na postagem vinculada acima). A confusão entre o natural e o sobrenatural também pode estar por trás de uma tendência em alguns escritos católicos contemporâneos de enfatizar exageradamente os aspectos distintamente teológicos de algumas questões morais. Por exemplo, uma exposição da moralidade sexual tradicional que apela principalmente ao Livro do Gênesis, a analogia do amor de Cristo pela Igreja ou a relação entre as Pessoas da Trindade pode parecer mais profunda do que um apelo (digamos) ao fim natural de nossas faculdades sexuais. Mas o resultado de tal ênfase teológica desequilibrada é que para o não crente, a moralidade católica pode (novamente para usar as palavras de Bruce Charlton) falsamente "parecer confiar somente no ditame da Escritura e da Igreja" e, portanto, apelar apenas para o relativamente "minúsculo e encolhido reino” daqueles dispostos a aceitar tal afirmações. Não conseguirá explicar adequadamente àqueles que ainda não aceitam os pressupostos bíblicos da "teologia do corpo" do Papa João Paulo II ou de uma "teologia da aliança da sexualidade humana", apesar de seus méritos, exatamente como o ensino católico é racionalmente fundamentado na natureza humana, em vez do comando divino ou eclesiástico arbitrário. A graça não substitui a natureza, mas a aperfeiçoa; e um relato que enfatiza fortemente o primeiro sobre o último está fadado a parecer infundado.
O próprio falecido percebeu isso, quer todos os seus expositores o façam ou não. Em Memória e Identidade, ele diz:
Se quisermos falar racionalmente sobre o bem e o mal, devemos retornar a Santo Tomás de Aquino, ou seja, à filosofia do ser [ou seja, à metafísica tradicional]. Com o método fenomenológico, por exemplo, podemos estudar experiências de moralidade, religião, ou simplesmente o que é ser humano, e tirar delas um enriquecimento significativo de nosso conhecimento. Porém, não devemos esquecer que todas essas análises pressupõem implicitamente a realidade do Ser Absoluto e também a realidade do ser humano, ou seja, ser uma criatura. Se não partirmos dessas pressuposições “realistas”, acabamos no vácuo. (p. 12)
E no capítulo V da Fides et Ratio ele advertiu:
“Há também sinais [hoje] de um ressurgimento do fideísmo, que não reconhece a importância do conhecimento racional e do discurso filosófico para a compreensão da fé, na verdade, para a própria possibilidade de crença em Deus. Um sintoma atualmente difundido dessa tendência fideística é um “biblicismo” que tende a fazer da leitura e exegese da Sagrada Escritura o único critério de verdade
Outros modos de fideísmo latente aparecem na escassa consideração concedida à teologia especulativa, e em desdém pela filosofia clássica da qual os termos da compreensão da fé e da formulação real do dogma foram extraídos. Meu venerado Predecessor, o Papa Pio XII, advertiu contra esse descaso com a tradição filosófica e contra o abandono da terminologia tradicional.”
E o Catecismo promulgado pelo Papa João Paulo II, citando Pio XII, afirmava que:
A razão humana é, estritamente falando, verdadeiramente capaz por seu próprio poder natural e luz de alcançar um conhecimento verdadeiro e certo do único Deus pessoal, que zela e controla o mundo por sua providência, e da lei natural escrita em nossos corações pelo Criador. (par. 37)
Há uma razão pela qual o primeiro Concílio Vaticano, embora insistindo que a revelação divina nos ensina coisas que não podem ser conhecidas apenas pela razão natural, também ensinou que:
A mesma Santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, a fonte e o fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza a partir da consideração das coisas criadas, pelo poder natural da razão humana.
E
Não só a fé e a razão nunca podem estar em conflito uma com a outra, mas elas se apoiam mutuamente, pois por um lado a razão justa estabeleceu os fundamentos da fé e, iluminada por sua luz, desenvolve a ciência das coisas divinas ...
E
Se alguém disser que o único, verdadeiro Deus, nosso criador e Senhor, não pode ser conhecido com certeza das coisas que foram feitas, pela luz natural da razão humana: seja anátema.
E
Se alguém disser que a revelação divina não pode se tornar crível por sinais externos e que, portanto, os homens e as mulheres devem ser movidos à fé apenas pela experiência interna ou inspiração privada de cada um: que seja anátema.
E
Se alguém disser ... que os milagres nunca podem ser conhecidos com certeza, nem a origem divina da religião cristã pode ser provada deles: que seja anátema.
O objetivo de tais anátemas não é resolver por decreto a questão de se Deus existe ou se os milagres realmente ocorreram; obviamente, um cético ficará comovido, se for o caso, apenas por receber argumentos reais para essas afirmações, não pela mera insistência de que existem tais argumentos. Os anátemas são dirigidos ao cristão subjetivista e fideísta que rejeitaria a exigência do ateu de que a fé fosse dada uma defesa objetiva e racional e que, assim, faz do Cristianismo motivo de chacota. Pregar o cristianismo aos céticos sem primeiro definir o praeambula fidei, e depois reclamar quando eles não o aceitam, é como gritar em inglês com alguém que só fala chinês e, em seguida, descartá-lo como um tolo quando ele não o entende. Em ambos os casos, embora certamente haja um tolo na foto, não é o ouvinte.
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¹- Em https://www.reddit.com/ApologeticaCrista/comments/jx3m63/uma_breve_introdu%C3%A7%C3%A3o_pessoal_%C3%A0_apolog%C3%A9tica_crist%C3%A3/
²- Os pontos de Bruce Charlton quais o Prof.Edward Feser se refere, e quais não cita em seu artigo são os seguintes:
  1. A ausência de judaísmo
O Cristianismo moderno tem que passar sem os séculos de tradição judaica desenvolvendo uma compreensão da natureza de Deus, os profetas e suas profecias, a vida devocional dos Salmos etc; mas os cristãos modernos têm que descobrir tudo isso do zero e por si próprios, e muitas vezes não conseguem.
  1. Confusão
A vida moderna é hedônica, distraída - frequentemente drogada. Consequentemente, as pessoas muitas vezes não sabem ao certo a natureza da vida. Além disso, nas últimas décadas, a cultura dominante tem sido ativamente contra o Bem. A arte moderna é anti-beleza, as filosofias modernas são anti-verdade, a moralidade moderna é uma inversão do Direito Natural. A propaganda (implícita e explícita) inculca que os ideais espontâneos dos humanos (religião nativa, diferenças sexuais, família, nação, lealdade, coragem) estão errados. Em suma, os modernos estão profundamente (deliberadamente) confusos sobre questões profundas. Portanto, os apologistas cristãos modernos têm que explicar a condição humana, a natureza básica da vida; antes de explicar como o cristianismo é a resposta.
  1. Inoculação anticristã
A cultura dominante agora se inocula especificamente contra o Cristianismo e os pré-requisitos do Cristianismo. Ele fornece argumentos prontos, fundamentados no hedonismo materialista moderno, para serem usados ​​contra todas as evidências ou etapas de argumentação que possam levar ao Cristianismo, se rigorosamente seguidas. A apologética cristã não pode avançar um passo sem eliciar esses slogans, e a impaciência moderna, a distração e um curto espaço de atenção fazem o resto. Que esses argumentos materialistas hedônicos sejam circulares, incoerentes e infundados é irrelevante na prática; porque eles efetivamente bloqueiam o desenvolvimento de uma metafísica alternativa da qual sua invalidade seria aparente.
3- http://edwardfeser.blogspot.com/2011/09/modern-biology-and-original-sin-part-ii.html
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2016.11.16 17:52 popeyers Ter tudo e não ter nada... Pensamentos suicidas, fraco controle emocional, desafeto e ser um estudante fracassado!

A muito tempo me sinto mal com a situação que me encontro então farei uma descrição sobre a minha vida até aqui: Nasci em uma família bem estruturada do interior do Paraná, mas a condição que me encontro é apenas “ok”, situação financeira normal sem nada a reclamar. Poderia ter sido bem melhor se meu pai tivesse ajudado minha mãe nesse quesito. Meu pai era basicamente um pilantra; convenceu minha mãe que havia cursado Direito mas que estava difícil arranjar emprego, minha avó com sua experiência de vida sempre foi contra esse relacionamento, por isso minha mãe não teve ajuda dela para se estabelecer após se formar em Serviço Social.
Antes de eu nascer e minha mãe buscar “fugir” do controle de seus pais, os meus começam a ficar juntos, se mudaram para outra cidade e abrem pequenas empresas bem-sucedidas na área de informática (com condições financeiras invejáveis, minha mãe me conta sobre os bons carros, piscinas, etc). Meu pai era um homem muito inteligente apesar de seu caráter, tinha conhecimentos avançados na área de tecnologia, principalmente porque nesta época ela apenas estava surgindo no solo brasileiro, consequentemente falava bem inglês pois estas matérias se interligavam antigamente. Logo os empreendimentos abertos eram sobre aulas desde inglês até programação (passando por coisas mais básicas como datilografia). Como estes eram estabelecidos em cidades pequenas do interior o único com tal conhecimento era meu próprio pai, sendo este o professor enquanto minha mãe cuidava da administração, limpeza e afins. Meu pai era extremamente preguiçoso e após conquistar uma grande clientela ele parava de prestar serviço, os dois começavam a ficar mal falados e então ele obrigava minha mãe a meter o pé para uma próxima cidade, onde tudo recomeçava. Também gostaria de acrescentar que meu pai era “street smart” então ele enrolava as pessoas com discursos o que ajudou bastante essa vida de gato e rato. Pulando um pouco a história, após eles terem conquistado tal má fama que não havia mais aonde eles fugirem, decidem voltar a cidade inicial (que é onde vivo até hoje). Aqui já mal falados era impossível fazer picaretagem, meu pai passou apenas a ficar em casa mexendo no computador, enquanto minha mãe trabalhava por salários medianos, graças ao curso superior. Neste meio tempo seu primeiro filho nasce, meu único irmão. Após um ano e meio minha mãe engravida de mim, gravidez indesejada por meu pai que tenta a forçar ela a abortar (inclusive dando uma pílula adquirida sem procedência por um traficante sem ela saber, ela diz que sentiu o que aquilo era e fingiu ingerir). Minha mãe sempre foi guerreira sabe? Então quando eu nasci ela teve pessoas conquistadas por confiança que a ajudaram a ir ao hospital e fazer tudo corretamente, já que meu pai se recusava a lhe levar. Eu sou um garoto loiro, de olhos azuis e de descendência germânica. Minha mãe diz que quando ela me levou para casa e meu pai me viu pela primeira vez ele desabou em lágrimas, dizendo que era a coisa mais linda que ele havia visto, parecendo um anjo e foi logo pedindo desculpas por tudo o que fez (este ato fez ela aguentar ele mais tempo).
Na minha infância inteira meu pai apenas fingia trabalhar, chegou a alugar um escritório para jogar jogos e fazer outras coisas que nunca saberemos. Não era de beber, mas seu vício em computadores e o ódio que ele carregava por tudo fazia com que ele batesse muito na minha mãe, bater a ponto de ela ficar arrebentada e afins. Pulando um pouco mais a história um dia eu ouço eles dois brigando, o que era muito comum, eu com minha inocência já havia descoberto que se eu fosse no mesmo cômodo geralmente tudo parava; fiz isto e eles dois me mandaram eu trancar a porta de uma sala junto com meu irmão dentro e não sair de lá. Após um tempo eu não ouço mais nada, saio da sala e vejo minha mãe desmaiada no chão, meu pai disse que ela tentou colocar o dedo na tomada e tomou um choque muito grande. Este ato fez com que minha mãe fosse implorar perdão de meus avós, os quais a acolheram e providenciaram o divórcio de meu pai. A minha guarda e de meu irmão ficaram com ela. Durante todo este processo era mais comum eu sequer ver meu pai, tenho poucas lembranças desta época, deve estar tudo reprimido. Mas minha vida fora dali era muito boa, tinha diversos amigos na escola, mesmo pequeno eu era centro da atenção das garotas, lembro que minha mãe mesmo sendo abusada e tendo pouco tempo me levava com meu irmão pra passear e afins (provavelmente tentando resgatar o pouco de inocência que ainda tinha). Minha vida acadêmica era de excelência, lia muito como passatempo, principalmente aquelas enciclopédias Barsa (tínhamos toda coleção e eu lia do começo ao fim). Meu pai me aplicava provas que ele criava sobre diversos conteúdos e se eu não acertasse sofria punimentos físicos, o que me fazia estudar e aprender muito rapidamente.
Após o divórcio meu pai fugiu com tudo de valor que eles haviam construído juntos, não só isso como contraiu diversas dívidas em nome da minha mãe. Graças a isto ela teve de trabalhar dobrado então eu ficava em casa sozinho, era obrigado a lavar a casa e fazer meus afazeres. Meus avós que como disse eram financeiramente bem estruturados (minha mãe em sua infância tocava piano em casa, desenhava e esculpia muito bem, e, teve acesso a ensino superior, algo raro para uma mulher do interior na época). Passei a ficar sozinho com meu irmão, o computador e a televisão haviam ficado. No começo fazia tudo o que devia, depois de um tempo eu passei a apenas assistir televisão e mexer no computador igual ao meu pai (não sei se foi um ato para fugir da minha realidade ou apenas algo que qualquer pessoa faria). Na época também tive diversos problemas de socialização, cheguei a entrar em diversas brigas na escola, inclusive uma vez quase matei uma pessoa (isto eu tinha uns 12 anos); eu sofria bullying por um grupo mais velho eles viam me enforcar no final da aula e eu saia correndo, um dia apenas um destes garotos veio sozinho me encher enquanto eu brincava com pedras, peguei uma lajota a arremessei contra ele, acertou a testa e abriu um buraco enorme (o garoto quase morreu de hemorragia). Este era filho de uma professora, como disse eu era inteligente na época, mas esta passou a me perseguir. Lembro até hoje de ter passado em primeiro lugar em um concurso nacional sobre astronomia que pegava desde a 4/5ª série não lembro em qual estava até o primeiro ano do ensino médio (estudei incessantemente tudo o que foi repassado possível cair no teste), a professora ao receber os diplomas entregou a todos que haviam passado e eu acabei ficando sem pois segundo ela colei na prova. A partir daí eu perdi todo gosto pelo estudo, e me afundei mais ainda no computador.
Isto nos traz aos dias de hoje. Não me esforcei desde aquela época em nada, sempre passei nas matérias por ter uma capacidade que eu considero um pouco mais elevada (desculpe se estou parecendo arrogante), literalmente não entregava trabalhos ou tarefas, até hoje na faculdade deixo de os fazer. Cheguei a jogar tênis onde meu professor disse que eu tinha potencial e um físico adequado, poderia jogar profissionalmente com esforço, simplesmente faltei quase todas aulas. Cursei também violão, espanhol, alemão, natação, etc (mesma história). No terceiro ano do ensino médio meu irmão estava cursando faculdade em outra cidade, eu estudando manhã, tarde e noite (o último por curso técnico de informática). Neste ano eu entrei em depressão (tinha também ataques de síndrome do pânico) e faltei tanto as aulas que reprovei por falta, engraçado que nos exames simulados estilo Enem eu sempre estava entre os 6 melhores da turma junto com pessoas que estudavam incessantemente, mesmo assim ninguém da coordenação veio socorro de mim ou de minha mãe. Meu irmão desistiu da faculdade e voltou para nossa casa. Cursei novamente o ensino médio e passei; escolhi ensino superior em Direito após ficar em dúvida entre história e filosofia (mas não queria ser professor) ou Ciências da Computação (mesmo curso que meu irmão estava fazendo, mas me afastei da ideia por medo de ficar igual meu pai).
Continuo sendo este cara relaxado que descrevi, não consigo me suceder em nada. Os trabalhos acadêmicos de apresentação eu me dou muito bem. Mas não tenho amigos na faculdade; tive relacionamentos com algumas meninas mas eu sempre me afastava a ponto de ainda ser virgem hoje aos 20 anos de idade. Peguei recuperação em Direito Penal pois não entreguei um trabalho valendo muita nota e tendo ido mal em uma prova, tinha que decorar muitos prazos e teorias, ou seja, investir tempo algo que sabemos que não faria. Tenho chance de pegar mais uma em Processo Civil – Recursos pelos mesmos motivos, a aula de hoje me fez perceber o quanto precisava desabafar. Além do mais eu percebi que meu encantamento era pela busca da Justiça, pra quem estuda Direito sabe que é um absurdo o que é feito com o Direito Positivo brasileiro, somos quase robôs em nosso cotidiano (a área Constitucional, filosófica e histórica me interessam bem mais, o motivo pelo qual não cursei estas é a pouca flexibilidade de carreira e os baixos salários {quero ser bem visto pelos demais}). Aos términos das aulas eu tenho que esperar a van que pego para ir a cidade vizinha na faculdade, faço isso me escondendo no banheiro e assistindo youtube ou navegando no reddit. Sempre balanceio minhas faltas para não reprovar, alguns términos de aula eu saio para caminhar na cidade e volto correndo para pegar a van a tempo. Ao chegar em casa estou tão estressado com minha vida merda, minha mãe idem com a dela, que eu fico extremamente irritado e chego a xingar ou ameaçar de vez em quando, então basicamente após todo este ciclo estou virando meu pai. Me recluso novamente no computador de casa. Eu acho que as pessoas da facul me veem como um cara esquisito, sem amigos, já tentei conversar com algumas, mas geralmente eu fico como algo a não se dar muita atenção sabe? Passei a nem tentar, a única coisa que eu me dedico na vida é vaidade, como perceptível na escrita deste texto; os exercícios físicos + alguns olhares que recebo de algumas meninas são a única coisa boa do meu dia (mas as que já me conhecem me enxergam como um cara chato e param de dar bola).
Nem sei o intuito do porque escrevi este texto. Acho que no meu íntimo tenho esperança de alguém me jogar uma luz; /brasil me socorra.
TL; DR: A vida inteira sofri por consequências principalmente que meu pai me trouxe, após um tempo percebi que estou me tornando igual a ele. Aos poucos vejo o fracasso que sou e tenho medo de não conseguir mudar isto.
Edit: A todos comentando sobre a busca de um psicólogo. No momento todo dinheiro que temos vai para a educação minha e do meu irmão. Sobra algo para de vez em quando fazer academia + aulas de guitarra também de vez em quando.No ano dos ataques fortes de transtornos que tive (+ reprovação) eu busquei tratamento psiquiátrico, implorei a minha família por isto. O que aconteceu foi que minha mãe nos levou a uma terapia conjunta que buscava tratamento "no amor". Me ajudou a me reconectar um pouco com ela já que nós não demonstramos afeto um pelo outro (eu não expliquei mas todo este processo fez com que ela se tornasse provedora, nunca parando em casa). Ela só quis o melhor de mim, mas acho que se eu tivesse aquela ajuda talvez estivesse em uma situação melhor. Mas eu não quero que vocês achem que a culpo, eu sei o quanto ela é foda!
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